quinta-feira, 21 de março de 2013

MTN-Qhubeka, o time africano que derrubou os europeus

Team MTN-Qhubeka chega ao pelotão europeu com um objetivo: salvar a África





Um time africano surpreendeu e venceu a Milano-Sanremo. O alemão Gerald Ciolek é a principal estrela do Team MTN-Qhubeka.
A equipe nasceu de um projeto social criado na África do Sul, em 2004. “Qhubeka é uma palavra Zulu que significa progredir, avançar. Nosso projeto pretende ajudar comunidades rurais a se desenvolverem, através do acesso a bicicleta”, explica Mark Squire, responsável pela comunicação do time.
Sim, é possível mudar o mundo através da bicicleta. “Doamos bicicletas às crianças das comunidades em troca do empenho dos próprios moradores em trabalhos que desenvolvem as suas comunidades”, diz Mark. Uma parte da probreza enfrentada por essas comunidades está diretamente relacionada a falta mobilidade, algo que a bicicleta combate. “O transporte é um elemento fundamental para o desenvolvimento. Muitos dos povoados rurais africanos precisam andar muito a pé pra ter educação, saúde, ou fazer compras básicas. As escolas são muito afetadas por causa dessa falta de mobilidade”, conta. Os numeros realmente chamam a atenção. Na África do Sul, das 16 milhões de crianças que vão à escola, 12 milhões vão a pé, sendo que 500 mil andam mais de duas horas por dia para isso. “A bicicleta é a maneira mais efetiva, econômica e rápida de resolver esse problema”, lembra Mark Squire.

Desenvolvimento e esporte profissional
As comunidades rurais ganham as bicicletas em basicamente três programas: Quantidade de árvores plantadas, volume de lixo reciclado e participação da comunidade em projetos de desenvolvimento e de sustentabilidade. Quem participa, ganha bicicleta. Isso faz com que as comunidades se desenvolvam, a natureza seja respeitada e que todos dêem valor às bicicletas recebidas, afinal elas foram ganhas graças ao trabalho. Desde o início do projeto, há 8 anos, foram mais de 100mil bicicletas distribuídas em países como Zimbábue, Zâmbia, Tanzânia, Moçambique, Quênia, Uganda e Sudão, além da África do Sul. O projeto não recebe um centavo dos governos locais. “Somos comandados por diretores que são executivos com grande experiência e não cobram nada por isso. Recebemos ainda doações através do site do programa World Biclycle Relief”, conta Mark Squire.
Desde 2008 o projeto social se estendeu a um time de ciclismo profissional na África. Foi aproveitada a base do time Lotus Development, criado em 1997 e que em 2001 ganhou a parceria da IBM e Microsoft. Hoje o Team MTN-Qhubeka é mais vitorioso time Africano, com equipes masculinas e femininas na estrada, Montain Bike e BMX. “Nosso foco esportivo é desenvolver uma nova geração de ciclistas em nosso continente. Além disso, Os atletas do time MTN correm para divulgar os projetos da Qhubeka e inspirar as crianças dessas comunidades a pedalar”, explica Mike Squire.
Em 2012, o time de estrada da MTN-Qhubeka foi formado apenas por ciclistas locais. Dos quinze atletas do elenco, nove eram da África do Sul, três da Eritréia e outros da Etiópia, Ruanda e Namíbia. “Quatorze de nossos atletas têm menos de 26 anos, o que nos torna um dos times profissionais mais jovens. Nossa mistura de jovens com líderes experientes já nos levou a mais de 400 vitórias desde 2008, contando todas as modalidades!”, comemora.

O sonho com o Tour
Entre 2013 e 2015, a equipe se chamará Team MTN-Qhubeka Powered by Samsung e terá a licença ProContineltal da UCI, equivalente a 2a divisão do ciclismo. Assim, os africanos poderão receber convites pras provas mais importantes da Europa, competindo contra times WorldTour. O grande sonho é participar do Tour de France em 2014.
A contratação que mais chamou a atenção foi a do alemão Gerald Ciolek, 25 anos,ex-Omega Pharma-Quick Step. Ciolek foi campeão alemão com apenas 18 anos, venceu um Mundial sub-23, uma etapa da Vuelta a Espanha e foi duas vezes segundo lugar em etapas do Tour de France. “Quando eu ouvi sobre esse projeto, logo percebi que seria algo legal”, disse Ciolek. “É um time menor do que aqueles que eu estou acostumado, mas mesmo assim eu terei um bom apoio. Só ouvi coisas boas sobre o time e seus dirigentes”, completou. Seus objetivos continuam sendo ambiciosos: “Quero ter uma boa sequência nas Clássicas da Primavera e recuperar a minha melhor forma”.

Principais Resultados Beneficentes do projeto:
    • Mais de 100 mil bicicletas distribuídas desde 2004
    • Tempo de locomoção das crianças pra escola reduzido em 75%
    • Custo da infraestrutura esportiva por criança reduzido em 90%
    • Doações recebidas aumentaram 500%
    • Acompanhamento médico das comunidades rurais aumentaram 400%

Via - Pedaladas

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