segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mais espaço para BICI´s

A primeira Bicicletada de Curitiba em 2012 pedalou 20 quilômetros para uma vistoria na ciclofaixa da Marechal Floriano. No trajeto, os ciclistas enfrentaram três momentos de conflito; todos eles envolvendo ônibus do sistema público de transporte.

A situação reflete a realidade enfrentada no dia a dia de quem usa a bicicleta como meio de transporte – e ajuda a explicar fatalidades como a que vitimou o ciclista Edimar Nascimento, há exatamente uma semana.
O caso mais grave ocorreu justamente no trecho mais estreito da ciclofaixa, em que a largura da área útil (faixa vermelha) varia entre 73 centímetros e 75 centímetros.
Um caminhão estava estacionado em fila dupla, fazendo a manutenção da fiação elétrica. Neste momento, um motorista do Ligeirinho não quis saber de esperar, invadiu a ciclofaixa com duas rodas e tocou o veículo de 10 toneladas sobre os ciclistas, que trafegavam em fila indiana.
"Tenho que cumprir meu horário”, justificou o motorista da linha Boqueirão Centro Cívico -- veículo EL 300 placa AUL-6039 -- , quando questionado por um dos ciclistas, que pedia calma e paciência. A frase é reveladora e mostra que não basta apenas mirar no motorista -- que sim, é um mentecapto – mas é também o elo mais frágil de um sistema alimentado por uma lógica perversa.
A questão toda começa com a própria estrutura do sistema de transporte curitibano, que penaliza o elo mais fraco – e mais ignorante – e terceiriza a responsabilidade por falhas de planejamento e gestão.

Penalizar o motorista em seu salário por atrasos é um estímulo à agressividade no trânsito e a uma disputa por espaço que acaba justificando sinais vermelhos furados ou transitar em velocidade acima da máxima permitida.
Problemas de atraso se resolvem com mais ônibus circulando nas principais linhas. O mesmo vale para reduzir filas e ônibus lotados.
A situação só se agrava com a total falta de preparo desse pessoal. Motoristas de ônibus devem ter a completa noção de que transportam vidas e de que transporte público é parte do trânsito. Entretanto, os motoristas profissionais – que deveriam ser exemplos de civilidade – são na verdade uma ameaça ambulante.
Faz-se urgente uma requalificação desses profissionais – com cursos e palestras. Algumas delas com foco especial na bicicleta que, sim, ao contrário do que muitos motoristas pensam, também fazem parte do trânsito.
O desconto do salário é uma medida punitiva legítima e eficaz apenas quando houver o descumprimento da legislação de trânsito – o que inclui jogar um ônibus sobre dezenas de ciclistas que trafegam sobre uma ciclofaixa.
A questão só será resolvida com reforço nas áreas de educação, fiscalização e punição. Apenas em uma sociedade onde impera a barbárie é que alguns segundos justificam a perda de vidas humanas.

Fonte: Gazeta do Povo

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