quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

GCM reprime manifestação por retirada de ciclovia

Segundo um dos ciclistas presentes, GCM prenderia quem fizesse barulho em frente à casa do prefeito.
No dia 23 de fevereiro, sábado, ciclistas de Taboão da Serra (SP) tentaram fazer um protesto pela recente retirada da ciclovia, mas foram ameaçados de prisão caso se manifestassem.
O protesto ocorreria em frente à casa do Prefeito de Taboão da Serra, Fernando Fernandes (PSDB).
Segundo informação postada pelo ciclista Luiz Henrique Amaral, a ameaça teria partido do Secretário de Segurança e Defesa Social, Gerson Pereira Brito, que estava presente no local junto com o comandante da Guarda Municipal e vários agentes. “Ninguém podia falar nada em frente à casa do prefeito de Taboão que seria preso, nos informou o secretário de segurança da cidade”, relata Luiz.
O comandante da GCM, Luiz Leonel Vieira (esq.), e o Secretário de Segurança, Gerson Pereira Brito, estiveram no local para impedir a manifestação.

Ainda segundo o ciclista, o Secretário teria afirmado que “a população de Taboão da Serra está aplaudindo” a retirada da ciclovia.
A página da Secretaria no site da Prefeitura esclarece que a função da GCM é “proteger o patrimônio, bens e instalações públicas”, além de manter a segurança de escolas, Unidades Básicas de Saúde e “zelar, sobretudo pela segurança da população”.
Além de não terem sido ouvidos, ciclistas foram calados. E a prefeitura não vê o problema.
Quatro dias antes da manifestação, em seu discurso de posse, o comandante da GCM frisou que trabalhará a serviço da população e que “os moradores deste município (…) terão a melhor Guarda Municipal da região”.
Entenda o caso
Em fevereiro, a Prefeitura de Taboão da Serra desativou uma ciclovia que cruza bairros importantes da cidade e serve como alternativa à perigosa rodovia Régis Bittencourt. O Vá de Bike tentou contato por vários dias com a Prefeitura da cidade para obter um posicionamento, mas tivemos nossos e-mails ignorados. Não conseguimos contato telefônico.
Segundo o site Via Trolebus, a justificativa para a retirada foi que a ciclovia termina na Av. Eliseu de Almeida, em São Paulo, onde não há ciclovia, portanto não haveria necessidade de uma ciclovia em Taboão também. O atual Secretário de Transportes e Mobilidade Urbana, Rinaldo Tacola Filho, afirmou ao Taboão em Foco que a ciclovia “era pouco utilizada e o município precisa de mais espaços para circulação de veículos”.
Já o prefeito, Fernando Fernandes, justificou a desativação como uma forma de “melhorar o fluxo dos carros na cidade” e, para solucionar a questão, propôs a criação de uma ciclofaixa de lazer aos domingos, demonstrando que não considera a bicicleta um meio de transporte.
Para o prefeito de Taboão da Serra, a pressa dos motoristas é mais importante que a vida de quem utiliza a bicicleta. Se o custo para as pessoas chegarem mais rápido de carro é o risco de morte para quem usa a bicicleta, tudo bem. É um preço que o prefeito aceita pagar. Afinal, ele só anda de carro (e pelo jeito não dirige muito bem).

Histórico

Em 2008, a ciclovia foi anunciada no site da Prefeitura com a justificativa de acidentes frequentes. “A ciclovia  é muito importante, pois democratiza os meios de locomoção, ajuda o trânsito, além de colocarmos o debate para a sociedade sobre o meio ambiente”, afirmou à época João Piza, assessor técnico da Secretaria de Habitação. O custo da obra chegou próximo aos R$ 600 mil, investimento que agora é jogado fora.
Em alguns pontos, a pintura vermelha já havia sumido totalmente.
Em 2010, moradores e principalmente comerciantes já questionavam a ciclovia, por reservar uma das faixas à circulação segura de bicicletas, anteriormente utilizada como área de estacionamento. Como é comum em implantações de ciclofaixas, quem não pôde mais usar o espaço público como estacionamento particular começou a reclamar, desconsiderando que o viário é da cidade, não do morador ou comerciante, e destinado primariamente à circulação, não ao estacionamento.
Na época, foi feita uma avaliação da ciclovia pelo então diretor do Instituto CicloBR, André Pasqualini, apontando que o traçado era adequado mas a sinalização precisava ser melhorada, entre outros pontos. O então Secretário de Transportes e Mobilidade Urbana, Claudinei Pereira, defendeu a ciclovia, afirmando que no município “as pessoas andam mais de bicicleta do que de táxi” e por isso não poderia pensar de forma diferente. Mas as melhorias na sinalização nunca vieram.
A ciclovia ficou sem manutenção todos esses anos, o que causou sua deterioração. A falta de fiscalização tornava comum seu uso para estacionamento de automóveis.  O atual Secretário de Transportes, Rinaldo Tacola, usou a falta de manutenção como um dos argumentos para justificar a retirada da ciclovia, pois o custo para reverter a deterioração da ciclovia seria alto.
Pelo jeito, as vidas dos cidadãos que usam a bicicleta não justificam esse investimento. Que criem (ou ganhem) asas.

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